Para quem não viu e quiser ver - atenção, alto nível de estress - o link com o ponto de vista dela!
Não basta ser fã, sabe? A gente também tem que carregar as consequências disso. Quando jovem, eu achei que ser fã era a coisa mais libertadora, que não envolvia responsabilidades e/ou problemas. Ledo engano. Isso tem sido mais trabalhoso do que seguir em frente com a minha vida de mulher adulta cheia de contas para pagar. Aliás, quantas coisas tenho de pagar por ser fã de The Rasmus. Vocês não fazem ideia! Tem saído muito cara, essa brincadeira. Porque ao escolher uma banda nos esquecemos do brinde: as outras pessoas que compartilham desse gosto, dessa paixão. E meu amigo, conviver nunca foi o meu forte.
Anos atrás passei por alguns perrengues com um pessoal aí que confundiu fã site com trabalho escravo. Sei lá, o mínimo detalhe de receber álbuns gratuitos de uma gravadora para sortear na comunidade subiu a cabeça do ser humano. Nem todo mundo precisa do céu, não é mesmo? Alguns se contentam com o asfalto. Daí me desliguei. "Olha, pega essa sua feição fecal (oi, Pablo!) e se retire de minha vida". Sou fina. Decidi que esse negócio de compartilhar não dá certo porque as pessoas, infelizmente, não tem o mesmo bom senso que o meu. Se você aí curti uma banda/cantor, faça um favor a si mesmo: matenha-se distante de qualquer espécie de grupo. O ego sempre irá falar mais alto.
Só que eu continuo dependendo de outros sites para ficar por dentro (não gosto dessa expressão) das novidades a respeito da banda. Um dos melhores - me dói assumir isso - é o Hell of a Site, comandado por uma italiana arretada. Jo, como é conhecida no fórum internacional, não tem papas na língua. Conheço essa figura há alguns anos e não foram raras as vezes em que ela arranjou discussão com o pessoal do fórum. Agora, deu para cacarejar no Facebook. Pode parecer o contrário, mas não tenho nada contra ela. Assim, para mim não fede nem cheira. Só que Jo tem uma péssima mania de se achar no topo da pirâmide. Ela tem um ótimo site, todos os álbuns imagináveis da banda, dvds e o caralho a quatro: como eu disse anteriormente, alguns se contentam com o asfalto - e por isso ela se acha no direito de volte e meia decidir quem é fã ou não.Taí uma coisa que faz eu me sentir idiota pelos outros.
A discussão já é patética por si só. Quem é que tem tempo de reaver o conceito sobre fãs? Ninguém sério, obviamente. Mas daí que a Jo se vomita inteira com esse negócio de "distribuição ilegal" do material da banda e roda a baiana toda vez que algo assim aparece na internet. Coitada, ela vira o bicho. Vocês precisam ver o drama. Eu me seguro para não retrucar porque a) meu inglês não vai tão longe assim e b) sinceramente, Jo, get a life. A última tacada foi o tal do dvd da turnê dos caras. Não sei quem subiu o vídeo no Youtube e este foi compartilhado por todo mundo - inclusive eu. Fato número um: o dvd estava sendo vendido no estrangeiro e não são todos que tem cartão de crédito e/ou dinheiro. Fato número dois: o dvd não está mais disponível. Fato número três: mesmo se você tivesse cartão, dinheiro e uma limusine na garagem, havia uma quantidade fixa de cópias e nem todo mundo conseguiu reservar a sua. Fato número quatro: o pobre coitado de quem fez o upload não está ganhando um puto sequer com esse vídeo.
Então chegam os exemplos para contra-argumentar: "Ah, mas sou mãe solteira, tenho dois filhos para criar e mesmo assim comprei/compro até o papel higiênico usado dos caras". Parabéns por ser tão imbecil. É o que eu posso dizer. Fazer o quê? Ainda existem mães que deixam os filhos passar fome e vontade para comprarem um álbum de uma banda. É o mundo. Entretanto, o problema começou de verdade quando colocarem em prova o caráter "de fã" das pessoas que assistiram e compartilharam o tal vídeo. Cara, existe coisa mais pau no cu?! Eu não quero comprar a merda desse dvd, não preciso dele! Isso, por outro lado, não me impede de ter curiosidade em saber do que se trata, e nada mais justo do que economizar o meu rico dinheirinho e assisti-lo no Youtube. Não estou ferindo o direito autoral de ninguém sendo que não comprei a cópia pirata, apenas assisti na internet.
Agora, eu sou menos fã porque não comprei um dvd que jamais assistirei pela segunda vez?! Sério mesmo? Ser fã para essas pessoas é gastar dinheiro à rodo porque se não temos a coleção completa somos menos favoráveis? Talvez seja necessário rever o conceito de limite - até onde vai a admiração por alguém? Até a conta ficar no vermelho por um motivo frívolo?! Para ser fã, no conceito dela, devo ser um macaco da industria musical e comprar o que quer que eles balancem na minha frente. Acontece que não. Eu não vou comprar um chiclete velho só porque tem o logo do The Rasmus nele. E ninguém poderá apontar o dedo para mim e dizer que não gosto da banda. Cara, não faça isso!
Em 2006 eu fui obrigada a trocar dólares para ir ao show deles porque sabia que era uma oportunidade única. Eu tirei da poupança da minha família sem ninguém saber! Enfrentei um pai violento. Fiquei horas na fila, mesmo sabendo que não faria a mínima diferença para os caras. Chorei na volta para casa porque sabia que não os veria novamente tão cedo e, meu amigo, vê-los pessoalmente pode ser rotina para os merdas da Europa, mas aqui no Brasil o buraco é bem mais embaixo. Aqui, nesse país esquecido pela equipe do The Rasmus, nós sabemos o que é ser fã de verdade. Não temos camisetas, revistas, entrevistas, sequer vídeo clipes na televisão! Se quisermos os novos álbuns ou os antigos, devemos encomendar por preços absurdos. Um pôster! O que um fã brasileiro não daria um por um mísero pôster!
Portanto, não me venha falar sobre ser fã. Não seja ridículo a esse ponto! Não perca a chance de ficar calado.






